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Por Mauro Cezar Pereira
Fundado em 21 de agosto de 1898, o Vasco ganhou este nome em homenagem ao navegador português cuja viagem de descoberta do caminho para as Índias completava quatro séculos naquele ano. Seus criadores eram jovens remadores e em algum tempo o clube se tornou competitivo nas regatas. Em 1915 chegou aos gramados.
A entrada do Vasco no futebol ocorre quando ele se funde com o Lusitânia, que não podia participar da Liga pela ausência de jogadores brasileiros. Em 1922, chegou à divisão de acesso e a conquistou, entrando no grupo dos grandes clubes do Rio. De cara foi campeão.
Vieram ciúmes e críticas à sua estrutura. O objetivo seria a exclusão de atletas negros e operários. Os vascaínos não aceitaram e os rivais formaram uma liga paralela em 1924. O Vasco contra-atacou em 1927 com nada menos que o maior estádio do Brasil, São Januário. E mais títulos, como em 1929, 1934 e 1936 até o jejum que terminou em 1945. Outros cinco títulos em uma década, dois invictos, e a formação do poderoso “Expresso da Vitória”.
Na Copa de 1950 o Vasco era a base da seleção, que não alcançou o título, mas nem por isso os jogadores deixaram de levá-lo às vitórias, interrompidas após o campeonato ganho em 1958. Foram 12 anos de jejum até 1970.
Na década que começava, surgiria o maior ídolo do clube, Roberto Dinamite, que chegaria à presidência em 2008, destronando Eurico Miranda. Com ele em campo, o Vasco ganhou o Brasileiro de 1974 e o estadual de 1977.
Seguiu acumulando taças nos anos 80, com três estaduais e o brasileiro de 1989, sobre o São Paulo, em pleno Morumbi. O time era estrelado por Bebeto, contratado do rival rubro-negro em uma das mais inteligentes manobras de bastidores da história.
Nos anos 90, Roberto parou e veio a geração de Edmundo e Juninho Pernambucano. Entre 1992 e 1994, o tri estadual, em 1997 o terceiro nacional e em 1998 a Libertadores em pleno ano do centenário. O Vasco seria, ainda, campeão do Rio-São Paulo de 1999 e brasileiro e da Copa Mercosul em 2000. Em 2003 conquistou seu 22º estadual.
Curiosidades
O título estadual invicto em 1947 gerou convite para o Campeonato Sul-Americano de Campeões. Diante de esquadrões como o River Plate de Di Stéfano, os vascaínos levantariam mais uma taça sem derrota.
Em 1949 mais um carioca invicto, incluindo a virada história. O Vasco perdia pelo placar de 2 a 0, mas chegou aos 5 a 2 sobre o Flamengo no campo do adversário, na Gávea.
Para lembrar Vasco da Gama e as navegações portuguesas, o clube mantém o símbolo de uma caravela, e a Cruz Patée, ou Pátea, não “cruz de malta”, como é erradamente chamada e assumida até no hino.
Por vários anos a Cruz de Cristo, diferente da de Malta e da Párea; foi usada na camisa do Vasco, como é possível observar em fotos antigas, casos de alguns dos times das décadas de 1920, 1930 e 1950.
O primeiro escudo do Vasco foi criado em 1903 e era redondo, fundo negro com a caravela ao centro. Ao seu redor, as iniciais "CR" e Vasco da Gama, separados por seis cruzes de Cristo em vermelho.
No século 19 a camisa do remo era preta com uma faixa branca na diagonal partindo do ombro direito e a cruz no centro. A primeira usada no futebol era negra, gola e punhos brancos e cruz sobre o coração. Nos anos 1930 a faixa voltou, mas a partir da esquerda.
Ídolos
Paschoal era ponta-direita e levou o Vasco ao primeiro título na primeira divisão carioca em 1923. Por causa de uma contusão, parou em 1932. Por ser veloz, seu apelido era "Trem de Luxo".
Ademir Menezes, pernambucano, era o "Queixada" devido ao queixo grande. Foi goleador da Copa de 1950 e um dos maiores atacantes do Vasco. Com 301 gols, só foi superado por Roberto Dinamite.
Bellini foi o capitão da seleção que levantou a Taca Jules Rimet pela primeira vez para o Brasil, em 1958. No Vasco, levantou títulos como os cariocas de 1956 e 1958 e o Torneio Rio-São Paulo de 1958.
Ipojucan tinha 1,90 metro de altura. Meia habilidoso deu muitos passes para gols de Ademir. Também colocava a bola nas redes, fez isso 225 vezes com a camisa do Vasco, pelo qual ganhou cinco cariocas.
Fausto foi apelidado pelos uruguaios de "Maravilha Negra" na Copa de 1930. Seu futebol também impressionou espanhóis, e em 1931, o Barcelona o contratou. Voltou ao Vasco para ser campeão em 1934.
Roberto Dinamite é o maior artilheiro do Vasco: 698 gols em 1110 jogos ao longo de mais de 20 anos. Conquistou o brasileiro em 1974, o carioca em 1977, 1982 e 1987. Em 2008 chegou à presidência do clube.
Romário começou e terminou a carreira no Vasco, pelo qual ganhou títulos estaduais, brasileiro, do torneio Rio-São Paulo e Copa Mercosul. Acumulou com a camisa vascaína 326 dos seus 1002 gols.
Edmundo surgiu em 1992 como revelação no Vasco, que voltou a defender em 2008 pela quinta vez. Conduziu o time ao título brasileiro de 1997, quando quebrou o recorde de gols (29) em uma só edição.