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por Ricardo Vespucci
No princípio, havia o C. A. Paulistano, entidade amadora em que se jogava bem o futebol como em nenhuma outra. Fundado em 1900, o clube contava com um dos primeiros ídolos brasileiro no esporte, Artur Friedenreich.
Mas o futebol brasileiro se profissionalizava, e isso ia contra os princípios e estatutos dos principais clubes amadores, entre eles o Paulistano, que acabou extinguindo o departamento de futebol. O mesmo aconteceu com a Associação Atlética das Palmeiras. Só que os adeptos do futebol de ambos os clubes não ficaram parados e, em 1930, fundaram o primeiro São Paulo F. C., com o vermelho do Paulistano, o preto da A. A. das Palmeiras e o branco comum aos dois.
O novo clube ficou conhecido como São Paulo da Floresta, por jogar no campo da Chácara da Floresta. Ali mandou seus jogos pelo Campeonato Paulista até 1934, quando, em razão de vultosa dívida, entrou em falência. O clube foi extinto em maio de 1935, mas os sócios logo em junho criaram outro, o C. A. São Paulo, que, em dezembro, se transformaria no São Paulo F. C. atual.
A teimosia de tanto tempo deu certo. Em menos de dez anos, o clube brilhava com um elenco de estrelas como Leônidas da Silva, Noronha, Rui, Bauer, que marcou a nova era do futebol paulista iniciada com a inauguração do estádio do Pacaembu, em 1940. Estava terminada a hegemonia da dupla Corinthians-Palestra/Palmeiras. Nascia o “Trio de Ferro”.
Instalado no estádio do Canindé, a partir de 1953 o São Paulo empregou todos os esforços e recursos num grande projeto: a construção da casa nova, um estádio gigante. Dez anos depois de inaugurar o Morumbi, e adotando uma gestão administrativa modelar, o clube partiu para uma seqüência de glórias, notadamente nos anos 1980 e 1990, que culminaria em três títulos da Taça Libertadores da América e três conquistas mundiais interclubes. Em termos internacionais, isso ninguém conseguiu no Brasil.
Jogadores Históricos
Leônidas da Silva, atacante, finalizador implacável, exímio executor da “bicicleta”, titular da seleção brasileira na Copa de 1938, foi a representação máxima do “Rolo Compressor” são-paulino dos anos 1940. Em 211 jogos, venceu cinco títulos paulistas, com 140 gols.
Raí, um dos jogadores mais importantes da história tricolor, símbolo maior das grandes conquistas dos anos 1990. Meia-atacante, jogou 393 vezes pelo clube, com 209 vitórias e 124 gols marcados. Conquistou cinco títulos paulistas, um brasileiro, duas Taças Libertadores da América e um Mundial interclubes.
Serginho, centroavante, jogou 401 partidas entre 1973 e 1982 e marcou 243 gols, tornando-se o maior artilheiro da história do clube. Conquistou três títulos paulistas e um brasileiro. Foi titular do Brasil na Copa do Mundo de 1982.
Rogério Ceni, goleiro, líder do time, no dia 27 de julho de 2005 tornou-se o jogador que mais vezes vestiu a camisa são-paulina – 618 partidas. Até 2007, com 34 anos, conquistou três Campeonatos Paulistas, dois Brasileiros seguidos, duas Taças Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes. Grande batedor de faltas e pênaltis, marcou 80 gols nessas cobranças até 20 de julho de 2008, em jogos oficiais. Foi Campeão do Mundo pelo Brasil em 2002.
Kaká, meio-campista, jogou 59 partidas em três temporadas pelo São Paulo, entre 2001 e 2003. Conquistou um torneio Rio-São Paulo e um Supercampeonato Paulista. Sua breve carreira foi o suficiente para que mostrasse um talento extraordinário, que o levou a titular incontestável da seleção brasileira e, desde 2003 no Milan da Itália, ao prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo em 2007. Campeão mundial pelo Brasil em 2002.
Curiosidades
As camisas e o distintivo do clube foram desenhados pelo alemão Walter Ostrich e usados desde o antigo São Paulo, em 1930. As três estrelas vermelhas estampadas acima do distintivo representam os títulos mundiais interclubes, as duas douradas representam as duas medalhas de ouro olímpicas do atleta tricolor Ademar Ferreira da Silva e seus recordes mundiais no salto triplo (1952-1955).
Nos anjos 1950, a torcida tricolor cantou um hino alternativo. Era a marcha “Bola no barbante”, de Osvaldo Molles e Sílvio Mazzuca, gravado pelo conjunto vocal Titulares do Ritmo e a cantora Dircinha Costa, acompanhados pela orquestra de Sílvio Mazzuca. Começava com o grito de guerra “Arakan, baran bakan/ stumberê, stumberá/ makambê, makamberá/ Rá, rá, rá/ São Paulo/ São Paulo/ São Paulo!”
Em 1933, o “antepassado” São Paulo da Floresta venceu o Santos por 5 x 1 na primeira partida de futebol profissional no Brasil.
Para formar o time de 1935, o São Paulo contratou em Curitiba o goleiro King e os médios José e Segoa. Depois de um sétimo lugar no campeonato de 1937, o clube se reforçou com nove jogadores vindos do Estudantes Paulista, do bairro da Mooca, entre eles o célebre Araken.
Quando decidiu sair do Canindé – vendido no início dos anos 1950 para a Portuguesa de Desportos –, o São Paulo pensava construir seu novo estádio na área que abriga atualmente o Parque do Ibirapuera, na época uma região alagada. A prefeitura, no entanto, não cedeu a área e ofereceu outra, na desabitada região do Morumbi. O clube aceitou. As obras se iniciaram em 1953 e o estádio foi inaugurado em outubro de 1960.
Com um time fraco, o São Paulo deu uma surra surpreendente no Santos, que já era bicampeão mundial. Foi em 1963, no Pacaembu. Na época, não havia substituição de jogadores de linha, só de goleiro. O tricolor vencia por 4 a 1 e pelo que se via em campo a goleada poderia ser maior. Nervosos, Pelé e Coutinho foram expulsos. Então, jogadores santistas simularam contusões e deixaram o campo um a um, até que o time ficou reduzido a seis – sendo sete o número mínimo permitido para que um time possa jogar. O juiz encerrou o drama aos 11 minutos do segundo tempo.
Depois de perder para o São Paulo na final do Mundial Interclubes de 1992, o legendário holandês Johan Cruijff, técnico dos espanhóis, desabafou: “Se você tem de ser atropelado, é melhor que seja por uma Ferrari”.