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Para afastar de vez o fantasma da Série B, Santos recebe o Náutico
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O Santos nasceu num domingo à tarde, dia e hora de futebol. Foi em 14 de abril de 1912, numa assembléia marcada para as 14h pelos fundadores Raimundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior, para quem a cidade de Santos, maior porto do país, já merecia há tempos um time só dela.
Discutiram nomes: entre os sugeridos, Concórdia, Euterpe, Brasil Atlético. Venceu Santos Foot-ball Club. Pensaram nas cores, e decidiram pelas mesmas do Clube Concórdia, uma homenagem ao local onde se realizava a assembléia: na camisa haveria listras verticais azuis e brancas, intercaladas por frisos dourados. Lindo, mas difícil de confeccionar, o uniforme pouco tempo depois seria trocado pelo de cor dominante branca e detalhes pretos: “o branco da paz e o preto da nobreza”, como então disseram.
Uma história extraordinária estava reservada ao recém-nascido. Não nos primeiros anos, em que por falta de recursos chegou até desistir de disputar três campeonatos. Nem nos anos que seguiram, até 1925.
Então começou a mostrar força, com cinco vice-campeonatos paulistas entre 1926 e 1931. Mais do que isso, iniciou uma tradição que o marcou para sempre, a de descobrir e criar jovens talentos. Já foi assim em 1927, com a “linha dos 100 gols” – Siriri, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista –, uma formação que começara a ser construída com rapazes novos quatro anos antes e em que só o centroavante era mais experiente.
Em 1935, veio o primeiro título paulista, mas nada ainda prenunciava o fenômeno avassalador que começou a acontecer vinte anos depois, com o segundo título estadual, vencido por craques como Zito, Pepe, Ramiro, Formiga, Pagão. Em 1956, o bicampeonato estadual. Tinha acabado de chegar ao clube um menino de 16 anos, um tal Pelé – e o mundo não foi mais o mesmo.
Jogadores Históricos
Feitiço, centroavante, jogou no Santos de 1927 a 1932 e em 1936. Muito veloz e grande cabeceador, foi o maior artilheiro santista antes da Era Pelé. Detém a melhor média de gols da história do clube: em 151 jogos, marcou 216, isto é, mais de 1,4 por jogo.
Pelé, atacante, jogou de 1956 a 1974 e, entre seus títulos mais importantes, venceu dez Campeonatos Paulistas, quatro torneios Rio-São Paulo, seis Taças Brasil/Torneios Roberto Gomes Pedrosa, seis Campeonatos Brasileiros, duas Taças Libertadores da América e dois Mundiais interclubes. Disputou pelo Santos 1116 jogos e marcou 1091 gols, sendo seu maior artilheiro. Com a seleção brasileira, pela qual marcou 95 gols em 114 jogos, ganhou três Copas do Mundo.
Pepe, ponta-esquerda, é o segundo maior artilheiro do clube, com 405 gols em 750 partidas. Jogou entre 1954 e 1969, vencendo, entre seus títulos mais importantes, 11 Campeonatos Paulistas, cinco Brasileiros, duas Taças Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes. Foi bicampeão da Copa do Mundo pela seleção brasileira.
Rodolfo Rodrígez, goleiro, deixou marca profunda. Jogou 255 partidas pelo clube e, assim como outro ídolo, Gilmar, personificou a excelência na posição. Com atuações impressionantes – pela colocação, pelos reflexos e pela coragem – foi o goleiro do título paulista de 1984.
Robinho, atacante, jogou pelo Santos de 2002 a 2005, levantando dois títulos brasileiros. Em 190 jogos, marcou 83 gols. Tornou-se ídolo mundial, quando se transferiu em 2005 para o Real Madrid, na maior transação do futebol até aquela data.
Curiosidades
Em 1927, a maior vítima do Santos da “linha dos 100 gols” foi o Ypiranga, goleado por 12 a 1. Araken marcou sete, recorde de gols em uma única partida que só foi batido por Pelé, 37 anos depois, com oito gols no 11 a 0 contra o Botafogo de Ribeirão Preto.
Em 20 de janeiro de 1998, o Santos se tornou a primeira equipe na história do futebol a alcançar a marca de 10 mil gols. Em 26 de agosto de 2005, atingiu 11 mil.
O clube tem dois hinos, o oficial e o popular. O oficial foi criado em 1957, com letra e música de Carlos Henrique Paganeto Roma. Diz que o Santos “é o motivo de todo o meu riso/ de minhas lágrimas e emoção”. O popular, a marcha chamada “Leão do Mar” que se ouve hoje no rádio (“Agora quem dá a bola é o Santos...”), foi composto por Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho quando o Santos foi campeão de 1955.
O Santos tem um terceiro uniforme registrado: camisa, calção e meias na cor azul-marinho. Por superstição, o clube nunca usa a combinação de camisa branca com calção preto, muito identificada com o rival Corinthians.
Em 1962, o clube estabeleceu um recorde brasileiro: ser campeão em todos os níveis – paulista, brasileiro, sul-americano e mundial.
Pelé foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 1958, com 58 gols, recorde quase impossível de ser alcançado.
A atual República Democrática do Congo vivia em 1969 uma terrível guerra civil, que só foi interrompida para que a população visse o Santos jogar. Quando a visita santista terminou, o conflito recomeçou.
Desde o atacante Araken em 1930, o Santos cedeu grandes jogadores à seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo. Na Copa de 1958, Zito, Pelé e Pepe. Na de 1962, Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Em 1970, Carlos Alberto, Joel Camargo, Clodoaldo, Pelé e Edu. Na Copa de 1974, Marinho Peres