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- 03h01
- 23Nov

A tristeza do São Paulo durou apenas duas horas.
A derrota para o Botafogo mostrou uma defesa vulnerável e mal defendida por um meio-campo que não soube marcar no início da partida.
Pendurado no lustre, o Botafogo fez 1 a 0 e foi todinho para a defesa.
No momento mais crítico da partida, essa foi a salvação do São Paulo, que conseguiu respirar e ganhou espaço para trabalhar a bola até chegar ao empate. Graças ao recuo do Botafogo.
A primeira bola verdadeiramente perigosa enviada ao gol de Jefferson surgiu num chute de Marlos, aos 42 minutos do primeiro tempo.
O problema, porém, estava na defesa. Com Miranda rodando de um lado para o outro, de zagueiro da sobra a marcador pela direita, o time ficou capenga e aberto.
A tristeza durou duas horas porque o Goiás fez o que não se esperava dele.
O time de Hélio dos Anjos, o pior de todo o segundo turno, havia conquistado apenas uma vitória (4 a 1 no Corinthians) nas nove últimas partidas como visitante.
Com oito derrotas nesse período, o Goiás sabia que aquele era o seu jogo. E fez bonito no Maracanã, num confronto emocionante, com mais um show da torcida rubro-negra.
Mas faltou o gol, faltou espaço para Adriano e Petkovic.
O jogo que tinha tudo para dar a vantagem ao Flamengo, manteve o São Paulo na ponta.
Faltam duas rodadas e apenas três pontos separam o Palmeiras, quarto colocado, do time de Ricardo Gomes, líder graças ao Goiás.

Próximos jogos:
São Paulo - Goiás (f) e Sport (c)
Flamengo - Corinthians (f) e Grêmio (c)
Internacional - Sport (f) e Santo André (c)
Palmeiras - Atlético-MG (c) e Botafogo (f)
Acredita-se por aqui que a melhor justiça está num sistema complexo, com várias instâncias e julgamentos.
Uma cópia da justiça comum.
Infelizmente, na prática, o futebol brasileiro não leva nenhuma vantagem com isso.
Chegamos ao absurdo de converter punições em cestas básicas.
É preciso mudar o código disciplinar e o sistema de aplicação das penas. Só assim, talvez, conseguiremos nos aproximar do verdadeiro conceito de justiça.
O caso de Borges, Dagoberto e Jean é um belo exemplo de como estamos atrasados.
Puni-los com o mesmo remédio é um erro.
Liberá-los para o jogo contra o Botafogo, como chegou a ser anunciado, seria ainda pior.
Os jogadores cometeram faltas diferentes, não podem ser tratados no mesmo pacote.
O ideal seria um sistema mais simples e justo, o que jamais vai acontecer por aqui.
Muita gente se diverte com as batalhas nos tribunais esportivos.
E trata o julgamento de uma expulsão como se fosse um assassinato.
Não há lugar para a simplicidade no futebol brasileiro.

Esqueça o Campeonato Brasileiro, agora o risco é perder a classificação para a Libertadores.
A expulsão de Obina e Maurício, que trocaram agressões a caminho do vestiário, após o encerramento do primeiro tempo, comprova o desequilíbrio emocional do grupo.
É impossível jogar futebol desse jeito.
A partida contra o Grêmio foi a continuação dos erros apresentados no Palestra Itália, no empate diante do Sport, na semana passada.
Um dia os clubes brasileiros vão descobrir os recursos oferecidos pela psicologia do esporte.
A diretoria do Palmeiras informou que Maurício e Obina não vestem mais a camisa do clube.
Restava outra alternativa?
- 23h51
- 18Nov
As péssimas arbitragens e as decisões do tribunal destroem a confiança do torcedor no futebol brasileiro.
Que fique bem claro: Dagoberto, Borges e Jean foram expulsos justamente na partida do São Paulo contra o Grêmio.
O problema é a análise desses lances pelo tribunal, que atua de acordo com a cara do freguês.
Não há como explicar três jogos de suspensão para o volante Jean e a absolvição do atacante Alan, do Fluminense, que deu uma cabeçada em Pablo Armero, do Palmeiras.
Não vou perder tempo com as explicações, porque elas não são sérias.
É impossível defender pesos e medidas diferentes.
Os "erros" do STJD são piores que os da arbitragem.
A injustiça desportiva envergonha o futebol brasileiro.
- 18h17
- 17Nov

Dunga culpou o cansaço pela má atuação da seleção brasileira contra Omã.
Se é realmente o que Dunga pensa, estamos com problemas.
Os jogadores que atuam na Europa estão na metade da temporada e vão participar do Mundial após o encerramento do trabalho nos clubes.
Cansados agora, demolidos depois.
O intervalo de jogos no Mundial será curto. Quem chegar à semifinal participará de sete partidas em 30 dias.
A verdade é que o time sabe identificar os adversários.
Todos sabemos que, diante da Inglaterra, mesmo com seus reservas, é bom tomar cuidado.
Já contra Omã, no jogo do aniversário do sultão, o ritmo é lento.
Os rachões disputados pelos jogadores na véspera dos jogos é mais "pesado", pois vale muito mais, vale as brincadeiras na concentração.
Com ou sem rachão, Nilmar aproveitou a chance e marcou mais um.
- 20h49
- 16Nov
Qual é a única equipe do Campeonato Brasileiro que venceu seus últimos quatro jogos?
É isso mesmo, o Fluminense. E não resta outro caminho para a materialização do milagre.
No momento, com dois pontos atrás do Botafogo, empates não servem para nada.
Todas as partidas são decisivas para quem ocupa a zona do rebaixamento há 26 rodadas.
A próxima coloca o time contra o Sport, já rebaixado, no Recife, enquanto o Botafogo recebe o São Paulo.
Mesmo assim não deve ser fácil. É jogar e torcer.
Cuca transformou o time dentro de campo e contou com a volta de Fred, na versão artilheiro.
O atacante tem sido decisivo, espetacular no trabalho de salvamento da equipe.
O time abatido e massacrado ganhou confiança, a palavrinha mágica que explica muito do que acontece dentro de campo.
São oito partidas de invencibilidade no Brasileiro, com 75% dos pontos nesse período.
Nesse ritmo, o milagre pode acontecer.
Se o Flu conseguir se livrar do rebaixamento, o clube terá uma das mais lindas histórias de recuperação do futebol brasileiro.
Os erros cometidos pela diretoria não serão apagados, mas o torcedor não merece sofrer tanto pelos desmandos da cartolagem.
Torcedor que balançou, mas nunca abandonou o time.
- 21h26
- 15Nov

1 - São Paulo, 62 pontos: venceu o Vitória com mais segurança do que nos magros placares sobre Internacional e Barueri. Um time acostumado a decidir, montado num ambiente vencedor. Todos os jogos são decisivos, mas o confronto diante do Botafogo é especial, pois o time carioca ainda luta contra o rebaixamento e o Flamengo recebe o Goiás, o pior time do segundo turno. São três pontos praticamente certos, com o Maracanã em festa. Um bom resultado contra o Botafogo é fundamental. Próximos jogos: Botafogo (f), Goiás (f) e Sport (?).

2 - Flamengo, 60 pontos: a reação começou no final de agosto. Desde então são 14 partidas, com 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota. O time conquistou 78,5% dos pontos disputados no período. Quando a crise parecia que iria dominar o clube, com troca de presidente, do homem forte do futebol e do treinador, o Fla passou a vencer graças a Petkovic, Adriano e Zé Roberto, além de se beneficiar com a mudança do ambiente. Precisa de uma pequena contribuição dos adversários do São Paulo. Próximos jogos: Goiás (c), Corinthians (f) e Grêmio (c).

3 - Palmeiras, 59 pontos: vai na contramão dos adversários na disputa pelo título. Simplesmente parou, e não convém culpar as arbitragens. O péssimo momento é resultado dos desfalques do período sem Pierre, Maurício Ramos e Cleiton Xavier. Sem esses jogadores, o rendimento caiu assustadoramente. Nos últimos oito jogos, o time conquistou apenas 25% dos pontos disputados. O momento psicológico de Flamengo e São Paulo é superior. São equipes que acreditam enquanto o Palmeiras sofre. Próximos jogos: Grêmio (f), Atlético-MG (c) e Botafogo (f).
- 20h33
- 14Nov

A vitória sobre a Inglaterra (1 a 0), repleta de reservas, era obrigatória.
Não foi uma grande exibição, o Brasil jogou para o gasto, mas a partida serviu para mostrar que Nilmar já é nome certo para o Mundial.
O ex-jogador do Inter desempenha um papel diferente de Robinho, trabalha menos as jogadas pelo setor esquerdo, mas é letal na área, aproveitando melhor as inversões de bola, nas costas da defesa.
Michel Bastos ficou com a lateral esquerda, que deveria ser ocupada por Fábio Aurélio. Começou mal e foi melhorando com a bola rolando.
O setor ainda é problema para Dunga, que completou 51 partidas no comando da seleção brasileira com a vitória sobre os ingleses.
São 35 vitórias, 11 empates e 5 derrotas, com 76% de aproveitamento dos pontos disputados.
Em jogos apenas contra países campeões mundiais, além de invicta, a seleção apresenta números superiores. Com 8 vitórias e 3 empates, o rendimento sobe para 82%.
Na terça-feira o adversário será a poderosa seleção de Omã. Vale para as estatísticas.

Elmo Alves Resende Cunha errou no lance do segundo gol palmeirense, mas não admite.
Seria necessário a confissão do erro no relatório da partida para que o STJD pudesse anulá-la.
Estaria configurado, assim, o erro de direito.
O lado bizarro da questão, porém, foi a notícia do interesse do Sport em anular apenas os últimos minutos do jogo.
Já temos lambanças demais.
Mas que tal anular apenas a cobrança de um escanteio? Ou de um tiro de meta?
O maior interessado na anulação do jogo é o Palmeiras, que teria mais uma chance para conquistar os três pontos.
O Sport, com anulação ou não, joga a Segunda Divisão em 2010.
Já o Palmeiras precisa consertar os nervos, destruídos pela pressão natural de quem disputa um título.
Não dá mais para confiar no time de Muricy: seis pontos em 24 possíveis nas últimas oito rodadas explicam tudo.
Falta gente para decidir.
O momento é favorável a São Paulo, Flamengo e Cruzeiro.
- 00h48
- 12Nov

O aproveitamento do Palmeiras nos últimos oito jogos é de apenas 25% dos pontos disputados.
Contra o Sport, em pleno Palestra Itália, não havia Carlos Eugênio Simon para se despejar a culpa pelo péssimo resultado.
Faltou muito pouco para o time pernambucano vencer seu primeiro confronto como visitante.
Nos últimos 30 dias, o Palmeiras enfrentou as quatro equipes que ocupam atualmente a zona do rebaixamento.
Disputou 12 pontos, ganhou um.
Não se faz um campeão assim.
Faltou equilíbrio emocional, do começo ao fim, perceptível logo nos primeiros toques na bola.
A partir disso, você pode imaginar todos os problemas técnicos e táticos possíveis: defesa vulnerável, meio-campo que não marca ninguém e ataque inexpressivo.
Tudo isso com Edmílson, Sandro Silva e Souza. Por que não Sacconi desde o início, para facilitar a vida de Diego Souza?
Já o Sport, diante do rebaixamento, jogou tranquilo e deixou o campo reclamando do árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha.
Entendo que a expulsão de Durval foi justa, aos 22 minutos do segundo tempo. E determinante para o empate.
O zagueiro segurou Ortigoza e recebeu o segundo cartão amarelo.
Não houve impedimento no segundo gol palmeirense.
Mas o árbitro parece mesmo ter apitado, paralisado a jogada, conforme reclamação dos jogadores do Sport.
Não havia motivo para os defensores da equipe pernambucana desistirem do lance, como ocorreu. Foram motivados pela ação do árbitro.
O grave erro sacramentou o rebaixamento do Sport.
Foi um péssimo empate (2 a 2) para as duas equipes.
Do jeito que está jogando, a permanência no G-4 corre sério risco.
*** Muita gente não entendeu, talvez porque eu não tenha sido sufucientemente claro. Os jogadores do Sport foram prejudicados pelo apito do árbitro. Esperava ser entendido quando escrevi que 'o grave erro sacramentou o rebaixamento do Sport' . Alguns frequentadores do blog leram com atenção, felizmente.***
Todo bom brasileiro se considera um especialista em futebol, mas Paulo Calçade é um dos poucos que realmente podem usar o título com propriedade. O comentarista dos canais ESPN e da rádio Eldorado ESPN é pós-graduado em futebol pela USP, onde atualmente é professor-convidado da disciplina Jornalismo e Esporte do curso de Esportes.
Além da paixão pelo futebol, Calçade também cultiva o gosto pelos estudos. “Sempre estou por aí nos cursos. O primeiro que fiz foi sobre arbitragem. Já fiz até um na Getúlio Vargas, de Administração, para profissionais do esporte. Estudar sempre dá uma facilidade para se atualizar, porque você não pode passar para o assinante informação envelhecida”.
Antes de entrar para a ESPN Brasil, em 1994, quando o canal ainda era a TVA Esportes, o jornalista havia trabalhado em jornais, como Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo.
Em tevês, passou por Record e Bandeirantes, onde também trabalhou na rádio.
Cobriu as Copas do Mundo da França/98 e Alemanha/2006.
Atualmente, comanda o programa Fora de Jogo, da ESPN. Participa das transmissões de jogos internacionais, de seleções, faz comentários no Bate Bola, no SportsCenter, nas jornadas da Rádio Eldorado ESPN, além das participações no Bola da Vez.
Jornalista há 25 anos, é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Eldorado ESPN. Pós-graduado em futebol, pela Escola de Educação Física e Esporte (USP), acredita que a ciência tem um papel importante no futebol atual. Este blog será um espaço também para se discutir estas questões