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Na outra quarta-feira, dia 2 de dezembro, a Fifa anunciará a divisão de potes para o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, que será na sexta, dia 4 (a ESPN transmite ao vivo, lógico, a partir das 15h).
Há fortes indícios de que a Fifa fará uma divisão geográfica. Os oito cabeças-de-chave seriam escolhidos, digamos, tecnicamente. Mas no segundo pote estariam oito seleções da Europa. No terceiro, os países da África e da América do Sul. No último, Ásia, Oceania e Concacaf.
Os grupos teriam um time de cada pote, sendo que os três sul-americanos do terceiro pote não poderiam cair nos grupos de Brasil e Argentina, e os africanos não poderiam estar no grupo da anfitriã. A divisão seria assim:
Pote 1 - Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, Argentina, Inglaterra, França e África do Sul (sede)
Pote 2 – Holanda, Portugal, Eslovênia, Suíça, Grécia, Sérvia, Dinamarca e Eslováquia
Pote 3 – Costa do Marfim, Gana, Camarões, Nigéria, Argélia, Paraguai, Uruguai e Chile
Pote 4 – Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, México e Honduras
Na minha opinião, a divisão geográfica do mundo não condiz com a divisão esportiva do futebol. Poderíamos, neste cenário, ter um grupo da morte com Brasil, Holanda, Costa do Marfim e México. Ou então um grupo "baba" com África do Sul, Eslováquia, Chile e Nova Zelândia. Seriam discrepantes demais.
Com o último ranking da Fifa em mãos, divulgado no dia 20 de novembro, dividi as 32 seleções classificadas para a Copa de forma técnica. Vejam só como ficariam os potes (entre parênteses, o ranking de cada país):
Pote 1 - Espanha (1), Brasil (2), Holanda (3), Itália (4), Portugal (5), Alemanha (6), França (7) e Argentina (8)
Pote 2 – Inglaterra (9), Camarões (11), Grécia (12), Estados Unidos (14), México (15), Costa do Marfim (16), Chile (17) e Suíça (18)
Pote 3 - Uruguai (19), Sérvia (20), Austrália (21), Nigéria (22), Dinamarca (26), Argélia (28), Paraguai (30) e Eslovênia (33)
Pote 4 - Eslováquia (34), Gana (37), Honduras (38), Japão (43), Coreia do Sul (52), Nova Zelândia (77), Coreia do Norte (84) e África do Sul (86)
No pote de cabeças de chave, portanto, estariam Holanda e Portugal em vez de Inglaterra e África do Sul. No último pote, cinco seleções em comum. As mudanças significativas, no entanto, ficam por conta dos potes intermediários. EUA e México, por exemplo, estariam no segundo grupo, em vez do quarto.
Neste cenário, o grupo da morte teria, por exemplo, Brasil, Inglaterra, Dinamarca e Gana. Um grupo "baba", e aí está a chave, já não seria tão baba assim. Exemplo: Portugal, Chile, Argélia e Nova Zelândia.
Na minha modesta opinião, a divisão esportiva é mais justa do que a geográfica. Acho que as presenças de México e EUA no último pote podem resultar em um grupo bastante complicado. No último Mundial, por exemplo, tivemos juntos Argentina, Holanda e as boas Sérvia e Costa do Marfim. Uma pena.
E você, o que acha? Qual critério deveria ser utilizado pela Fifa??
Se tem uma coisa que eu adoro é fazer conta. A duas rodadas do final do Campeonato Brasileiro, o que o pessoal mais faz é isso. São contas, contas e mais contas. Possibilidades de título, de Libertadores, de rebaixamento...
Aqui vai, então, um balanço. O que os times podem fazer na reta final. O que os torcedores precisam saber para essas rodadas em que todos os jogos acontecerão ao mesmo tempo.
LÁ EM CIMA...
São Paulo (62 pontos)
A conta mais fácil de ser feita. Com um ponto, está na Libertadores. Se vencer as duas, é campeão de novo. Se empatar com o Goiás, terá de torcer contra o Flamengo para depender só de si contra o Sport na última rodada. Se perder para o Goiás, terá de torcer também por tropeços de Inter e Palmeiras.
Flamengo (61)
Para a Libertadores, uma vitória ou dois empates. Para o título, tem que ganhar do Corinthians e do Grêmio e ainda torcer por um tropeço do São Paulo.
Internacional (59)
Nossa, como os colorados devem estar se lamentando os vários tropeços recentes, principalmente no Beira-Rio. Continuo achando: como estava na mão do Inter esse campeonato! Bom, para ser campeão, o Inter precisa fazer seis pontos e vencer Sport e Santo André. Deve torcer por uma derrota do São Paulo, que no máximo poderia fazer três pontos nas duas rodadas finais. E deve torcer por um tropeço do Flamengo (empate serve). A Libertadores está bem próxima: basta uma vitória em jogos contra dois dos piores times do campeonato. Antes que me cornetem, já explico: com uma vitória, o Inter só poderia ficar atrás do Cruzeiro no saldo de gols. Hoje, o Inter tem +17 contra +1 do Cruzeiro. Impossível tirar.
Palmeiras (59)
Situação parecida com a do Inter para título, com a diferença que, além de torcer por uma derrota do São Paulo e um tropeço do Flamengo, dependeria também de um tropeço do próprio Inter. O Palmeiras tem uma vitória a menos do que o Inter, portanto, se acabar empatado com São Paulo ou Flamengo, terá de superá-los no saldo de gols. Para a Libertadores, uma vitória e um empate bastam. Ah, e tem um detalhe: além da péssima fase (6 pontos dos últimos 27), o Palmeiras tem uma tabela difícil, jogos contra Atlético-MG e Botafogo (fora).
Atlético-MG (56)
Para o título, a conta é improvável demais. Basicamente implica ganhar as duas. São Paulo perder as duas, Flamengo no máximo empatar uma, Inter idem. Para a Libertadores, no entanto, é simples. O Atlético-MG depende apenas de si, de vitórias sobre o Palmeiras (fora) e o Corinthians. Se não ganhar do Palmeiras em São Paulo, a Libertadores vira um sonho quase impossível.
Cruzeiro (56)
A conta do título é parecida com a do Atlético-MG, improvável demais. Para a Libertadores, o Cruzeiro, que claramente perdeu fôlego, tem que ganhar do Coritiba (em casa) e do Santos (fora). Se fizer isso, pode estar no G-4. Mas ainda dependerá de tropeços de pelo menos dois times que estão à frente na tabela.
E LÁ EM BAIXO...
Vitória (47)
Para não cair, basta um empate contra o Fluminense na próxima rodada. Se perder, o Vitória ainda estará livre ou se o Coritiba não ganhar do Cruzeiro ou se o Atlético-PR bater o Botafogo. Se esta combinação negativa acontecer, ainda bastará ao Vitória só um empate na última rodada, em casa, contra o Goiás.
Coritiba (44)
Se vencer o Cruzeiro (fora) na próxima rodada, poderá estar livre ou se o Fluminense não vencer o Vitória ou se o Atlético-PR bater o Botafogo. Se empatar, o Coritiba sabe que jogará a vida na última rodada, em casa contra o Fluminense, precisando só de um outro empate. Se perder, no entanto, o Coritiba pode chegar à última rodada necessitando uma vitória sobre o Fluminense.
Atlético-PR (44)
Se vencer o Botafogo na próxima rodada, na Arena, estará livre. Se empatar, dependerá de uma vitória simples sobre o Barueri na última rodada, fora de casa. Se perder para o Botafogo, o Atlético-PR ainda dependeria das próprias forças, uma vitória sobre o Barueri*** - o detalhe é que neste cenário pode acontecer empate com o Coritiba na classificação, e neste caso o rebaixado seria o time com pior saldo (hoje os rivais estão empatados neste critério).
*** a frase seguinte responde ao comentário do internauta Fábio
Botafogo (44)
Não pode acabar empatado com ninguém, porque tem vitórias a menos. Se vencer o Atlético-PR em Curitiba, dependerá ainda de um empate na última rodada contra o Palmeiras (ou tropeço de algum concorrente)***. Se empatar contra o Atlético-PR, a salvação só vira na última rodada em caso de vitória sobre o Palmeiras (ou então um empate combinado com derrota do Atlético-PR ou então dois tropeços do Fluminense em suas últimas duas partidas). Se perder do Atlético-PR, o Botafogo fica em situação muito ruim. Só dependerá de si na última rodada caso Coritiba ou Fluminense tropecem na penúltima rodada.
*** respondendo ao internauta Gilberto: se o Botafogo ganhar, ainda não estará livre. Se o Coritiba ganhar do Cruzeiro, chega a 47 pontos e à frente do Botafogo no número de vitórias. Sendo assim, o Fluminense poderia ganhar do Vitória e do próprio Coritiba, chegando a 48. No entanto, o Botafogo sim, estará livre com vitória sobre o Atlético-PR, SOMENTE SE Coritiba ou Fluminense não vencerem na rodada
Fluminense (42)
Incrivelmente, depende só de si para se livrar. Com duas vitórias, contra Vitória (casa) e Coritiba (fora), estará garantido na primeira divisão. Se vencer a próxima partida, poderá até jogar por um empate na última rodada caso o Coritiba não tenha vencido o Cruzeiro. No entanto, se não ganhar a próxima, o Fluminense chegará à última rodada precisando derrotar o Coritiba e, talvez, ainda dependendo de tropeço do Botafogo ou do Atlético-PR.
Santo André (38)
Se empatar em casa contra o Náutico, estará rebaixado. Precisa vencer os dois jogos (Inter na última rodada) e torcer para que o Fluminense não ganhe nenhuma e que ou Botafogo ou Atlético-PR perca as duas. Isso significa que um empate na Arena da Baixada entre Furacão e Bota na próxima rodada acaba em rebaixamento para o time do ABC.
Náutico (38)
Se empatar contra o Santo André, estará rebaixado. Precisa vencer os dois jogos (Avaí na última rodada) e torcer para que o Fluminense não ganhe nenhuma e que ou Botafogo ou Atlético-PR perca as duas. Isso significa que um empate na Arena da Baixada entre Furacão e Bota na próxima rodada acabe em rebaixamento para os pernambucanos.
E OS MEUS PALPITES!
Não está nada fácil, como nunca esteve dar pitaco nesse Brasileirão maluco. O campeonato está obviamente nas mãos do São Paulo devido ao tropeço de hoje do Flamengo. Acredito que o São Paulo vá ganhar do Sport na última rodada, portanto o duelo contra o Goiás é a final do campeonato. Se perder, adeus. Se empatar, terá de secar o Flamengo (e sim, pode dar certo).
Se o São Paulo perder do Goiás, entra mais um time forte na disputa: o Inter. Para mim, o Inter ganha as duas. E o Flamengo tem dois jogos complicados, pode tropeçar em um deles. O Mengo tem que fazer a parte dele, coisa que não fez hoje, e secar o São Paulo. O Palmeiras, para mim, já não tem chances.
Palpite? São Paulo campeão. Com Flamengo e Inter na Libertadores. A quarta vaga sai para o vencedor do duelo entre Palmeiras e Atlético-MG. Se empatarem esse jogo, morrem abraçados e quem entra é o Cruzeiro.
Lá no rebaixamento, acho que Santo André e Náutico, por incrível que pareça, ainda podem sonhar. A chave é ganhar (lógico) o próximo jogo e torcer para que ou Botafogo ou Atlético-PR perca. Mas enfim, claro, meu palpite é que os dois caem.
Isso deixaria uma vaga em disputa. Para mim, esta vaga será decidida no duelo direto entre Coritiba e Fluminense, na última rodada, no Couto Pereira. De todos, considerando matemática e tabela, o que tem a situação mais complicada é o Botafogo. Mas hoje o time mostrou que, se pode ganhar do São Paulo, pode também ganhar do Palmeiras na última rodada caso seja necessário.
Acho que o Fluminense chegará a Curitiba jogando por um empate para se salvar. Palpite? Prefiro ficar fora dessa...
A Uefa divulgou nesta sexta-feira os cabeças-de-chave e os potes em que estarão todos os países participantes das eliminatórias para a Eurocopa de 2012.
É isso aí. Está todo mundo preocupado com a Copa do Mundo, mas no dia 7 de fereveiro do ano que vem, na Polônia, serão sorteados os grupos das eliminatórias da Euro. A competição irá de setembro de 2010 a outubro de 2011 e é duríssima - para os europeus, tão importante quanto a eliminatória para a Copa.
Ucrânia e Polônia, co-sedes do evento, já estão classificadas - o que deixa 14 vagas em jogo. As seleções são divididas em nove grupos - seis com seis países e três grupos com cinco. O campeão de cada grupo e o melhor dos segundos colocados estarão na Euro. Os outros oito segundos colocados serão emparelhados em quatro mata-matas para a definição das últimas vagas.
Entre os cabeças-de-chave, estão Croácia e Rússia, as melhores seleções da Europa que acabaram fora da Copa. Os grupos serão formados por uma seleção de cada pote abaixo:
Pote 1 (cabeças-de-chave): Espanha, Alemanha, Holanda, Itália, Inglaterra, Croácia, Portugal, França e Rússia
Pote 2: Grécia, República Tcheca, Suécia, Suíça, Sérvia, Turquia, Dinamarca, Eslováquia, Romênia
Pote 3: Israel, Bulgária, Finlândia, Noruega, Irlanda, Escócia, Irlanda do Norte, Áustria, Bósnia-Herzegovina
Pote 4: Eslovênia, Letônia, Hungria, Lituânia, Bielorrússia, Bélgica, País de Gales, Macedônia, Chipre
Pote 5: Montenegro, Albânia, Estônia, Geórgia, Moldova, Islândia, Armênia, Cazaquistão, Liechtenstein
Pote 6: Azerbaijão, Luxemburgo, Malta, Ilhas Faroe, Andorra, San Marino
A última Eurocopa também tinha dois países-sede (Suíça e Áustria), portanto também foram 14 as vagas em disputa nas eliminatórias. Já para a Copa do Mundo do ano que vem, a Europa teve 13 vagas em disputa.
Os países que jogaram a última Euro e não vão à Copa são: Croácia, Rússia, República Tcheca, Áustria, Suécia, Romênia, Polônia e Turquia. Portanto, 8 seleções, um número altíssimo.
Já que os que não foram à Euro e sim, conseguiram vaga na Copa: Inglaterra, Eslovênia, Eslováquia, Dinamarca e Sérvia
As que estiveram na última grande competição e estarão também na próxima: Suíça, Grécia, Holanda, Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e França.
- 12h00
- 01Nov
Olá, pessoal. Estou de volta com o pedido de desculpas! Uma semana sem blog é demais, mata qualquer audiência fiel. Por isso que (ainda) não tenho Twitter. Se não tem tempo, melhor não se aventurar. Em minha defesa, conto que foi uma semana frenética. Participei de um seminário muito bacana chamado Media On, sobre jornalismo online.
Entre a preparação da minha participação e, claro, assistir ao próprio seminário, a semana se foi e eu não consegui parar um minuto para escrever.
Nem consegui parar para ver a Lusa matar o Guarani! Uau. Eis que estamos de volta à briga. Mas, por enquanto, vou cumprir minha promessa e não irei ao Canindé terça-feira. Espero muito que a Lusa ganhe do ABC. Mas, se jogar mal, as cornetas vão soar de novo no Canindé e eu vou me irritar. Não estou afim. Aliás, espero que os imbecis que entraram armados no vestiário e que causaram toda essa punição à Portuguesa não dêem as caras. E nem ninguém que não vá exclusivamente para torcer, sem ressalvas.
Voltando ao Media On. Quem quiser ver minha participação no evento e saber mais sobre o projeto da ESPN no mundo digital, é só ver nos links abaixo:
Parte 1:
http://terratv.terra.com.br/Especiais/Noticias/4416-253414/Jornalismo-esportivo-e-debatido-no-MediaOn-Parte-3.htm
Parte 2:
http://terratv.terra.com.br/Especiais/Noticias/4416-253415/Jornalismo-esportivo-e-debatido-no-MediaOn-Parte-4.htm
Voltando...
Um rapaz chamado Lucas Borges trabalha comigo no site da ESPN, que segue crescendo graças à ajuda de vocês. Brilhante repórter, futuro garantido, vai cavar o seu espaço e chegar longe, o menino.
No começo deste mês, foi a Cuba com o pai dele. Eu já fui a Cuba, no ano 2002. Sei que sou minoria, mas gosto muito de Cuba. Um dia falo mais sobre a Ilha e minhas posições. Mas hoje quero só falar de futebol. Quando fui para lá, joguei bola na praia com os nativos e foi uma coisa divertidíssima, eu nunca conheci um povo tão parecido com o nosso. O Lucas, que joga muito mais bola do que eu (agora vai ficar mascarado!), fez o mesmo. Quer dizer, fez mais. E relata sua aventura neste texto abaixo.
Vale a leitura!
Abraços e até mais.
***
UMA PELADA EM CUBA
por Lucas Borges
Antes de embarcar de São Paulo para Havana, Cuba, no dia 10 de outubro, planejava conhecer as marcas deixadas pela revolução socialista, monumentos, museus, belas praias, um povo alegre e hospitaleiro, rum, charutos etc. Claro que, se fosse possível, poderia matar a saudade do bom e velho futebol e me aventurar em uma pelada com os locais. Mas não alimentei muitas esperanças, já que aquela era a terra do beisebol.
Logo na chegada à Ilha de Fidel, porém, comecei a me surpreender. Do caminho do aeroporto ao hotel vi pelo menos três grupos de pessoas correndo atrás da bola. E não daquela pequena e pesada, mas da nossa bola! Em todos os grupinhos, camisas da seleção brasileira e até uma do São Paulo. Nos primeiros dias em Cuba, mais indícios de que talvez aquela não fosse somente a terra do beisebol. Perguntavam-me sobre a má fase de Ronaldinho Gaúcho, se Kaká era melhor que Messi. Até sobre Corinthians e Palmeiras eles queriam saber. Bem informado, o cubano.
Após um dia de passeios, enquanto retornava ao hotel, o táxi passou por mais uma campo onde se disputava uma peleja e desta vez não resisti. Como o jogo acontecia perto de onde estava hospedado, resolvi colocar camiseta e calção e fui a pé ao encontro da partida. Dispensei a chuteira e tentei a sorte descalço, mesmo porque imaginava que a coisa fosse um tanto amadora.
Cheguei ao misto de gramado e terrão, bem parecido com os da várzea em São Paulo, e me deparei com cerca de 50 atletas esperando sua vez do lado de fora. Entre os jogadores, um Cristiano Ronaldo, de cabelo moicano e camisa de Portugal, outro Roberto Carlos, com a 6 canarinha, todos bem uniformizados e, inclusive, de chuteiras.
Pelo andar da carruagem, teria que esperar algumas horas para conseguir uma chance ali. Tentei conversar com uma espécie de professor que à beira do campo dava ordens, escolhia as equipes e apitava. Talvez o fato de ser brasileiro chamasse sua atenção e me garantisse uma vaguinha no time. À primeira vista, no entanto, o treinador não se sensibilizou com o estrangeiro que reivindicava uma oportunidade de mostrar seu futebol. Depois de alguns minutos ‘encostado’, o técnico resolveu testar minha ‘brasilidade’.
- Brasileño?
- Sim.
- Estamos garantidos en el Mundial, han?
‘Estamos’ quem? Pensei eu. O ‘professor’ explicou:
- Mi equipo es Brasil!
Aquele seria o primeiro de muitos ‘hinchas’ do Brasil que conheceria em Cuba. Assim como torcemos por nossos clubes, eles torcem por nosso país.
Conversamos sobre nossa chateação com a seleção de Dunga – sim, o ‘brasileiro cubano’ também não gostava de Dunga –, sobre o Brasilerao 2009 – assim mesmo, sem o acento –, sobre o peso do Ronaldo Fenômeno, e ganhei sua confiança. Fui escalado para jogar ao lado de seis garotos de mais ou menos 16 anos. Explicaram-me as condições do jogo – seis homens na linha e um no gol; dez minutos de partida ou um tento marcado – e perguntaram minha posição. Sob questionamentos dos meus companheiros, que esperavam ver o ‘brasuca’ no ataque, decidi atuar na defesa.
Entramos em campo e conheci meus adversários. O ataque rival tinha Henry e Raul, obviamente não os próprios, mas anônimos vestidos com as camisas de Barça e Real, respectivamente, e um sujeito de quase 2 metros de altura e com mais de 100 quilos que me contaram ser o recordista mundial de embaixadinhas, superando uma suposta marca de Ronaldinho Gaúcho. Fingi acreditar e fui para o embate.
Logo em um dos primeiros lances de jogo, escanteio para ‘eles’ e Henry sobe mais alto que eu. Na tentativa de tirar a bola do esguio centroavante, acabo colocando a bola para dentro da minha própria meta. Gol contra! Em uma tentativa desesperada de prolongar minha breve participação em gramados cubanos, levanto do chão com a mão levantada e pedindo falta. Para minha surpresa, o público de fora não só acredita, como me apóia incondicionalmente. Talvez quisessem ver o brasileiro mais um pouco em campo. Nossos rivais entram em fúria com minha simulação.
O duelo segue e até consigo retomar a honra brasileira com alguns desarmes, bons passes e um chute a gol perigoso. Minha decisão de atuar na defesa foi perfeita. Os cubanos sabem jogar bola. São rápidos, habilidosos, técnicos...Mas não dão a mínima para o coitado do goleiro que fica sozinho lá atrás! Será essa a razão pela qual, apesar de praticarem tanto, eles ainda serem inexpressivos no esporte?
A prova de que realmente não havia decepcionado meus amigos de time veio após o 0 a 0 no tempo normal, na hora dos pênaltis. Fui escolhido para converter a primeira cobrança. Respirei fundo, bati rasteiro no canto e fiz 1 a 0. Também me elegeram como arqueiro nas penalidades.
Não defendi nenhuma cobrança, saímos derrotados, mas a experiência foi para lá de válida. Apesar do fracasso, ainda ganhei a solidariedade de Raul, o homem do pênalti final, que estendeu sua mão e me levantou do chão, e de meus companheiros, que com tapinhas nas costas limparam o barro da minha camisa. Antes de voltar para o hotel, um pouco de água gelada em uma garrafa de refrigerante usada e a última resposta para os curiosos cubanos:
- A Ustedes les gustan los argentinos?
- Claro que no! Está loco!, exclama antes de mim nosso professor, o ‘brasileiro cubano’, com uma indignação que nem um brasileiro verdadeiro mostraria.
Dou adeus a todos com a impressão de que estava conhecendo outro país do futebol.
***
O Real Madrid só empatou com o Sporting Gijón. E ficou evidenciada mais uma vez a falta que Cristiano Ronaldo faz para esse time, que já vinha de derrotas para Sevilla e Milan, além de uma vitória pouco significativa sobre o Valladolid.
Ou seja, sem ele, uma vitória, um empate e duas derrotas. Isso para um time que, com ele, começou a temporada ganhando suas sete primeiras partidas.
Não quero aqui fazer um tratado tático, explicar por que o Real não funciona sem Cristiano Ronaldo. Não, não é esse o caso. Não é um time certinho em que o português encaixa com perfeição. Simplesmente é um time desarrumado, ainda não montado. E Cristiano, motivado e craque como é, estava resolvendo tudo praticamente sozinho - vide os vários golaços nos minutos iniciais das partidas, que encaminharam vitórias.
Meu amigo Paulo Calçade defende a seguinte tese: Raúl não é atacante nem meia, atrapalha o time e é o segredo da bagunça.
Eu defendo que Raúl sobra no Real Madrid há pelo menos cinco anos. Foi dado poder demais a ele, não só dentro de campo, mas fora - os inimigos se foram, técnicos rodaram e amiguinhos (Guti, Michel Salgado, Helguera, etc, etc) ficaram mamando nas tetas do clube. O grande movimento extra-campo dele foi trazer o amigo Juande Ramos. Para mim, bom técnico. Mas fashion de menos para Florentino.
No entanto, não vejo, neste exato momento, Raúl como o grande culpado. Acho que, para um veterano, até que ele faz gol demais. Hoje, por exemplo, teria sido o herói de novo e feito o gol da vitória, que acabou mal anulado pelo bandeirinha.
Um dos pontos, para mim, é que Kaká não está conseguindo fazer a função de meio-campista, de armador. Um jogador de ligação que o Real não tem desde que Zidane cansou de jogar bola, lá pelo ano 2003. É por isso que entra ano, sai ano, as atenções acabam sempre se voltando para Guti. Porque ele parece ser o único capaz de pegar a bola atrás da linha do campo e entregar com qualidade para alguém à frente.
Eu achei que Kaká fosse a peça que faltava. Junto com Xabi Alonso, dariam a qualidade que falta ao time há anos. Seja por culpa dele (Kaká) ou de Pellegrini, não é esse o posicionamento atual. O brasileiro está lá na frente, perdido no emaranhado de zagueiros.
Cristiano Ronaldo é um jogador muito incisivo, que abre espaços pelos dois lados do campo, é forte (difícil de marcar, de derrubar), tem um ótimo chute a gol. Ele estava, com todas essas qualidades, mascarando um monte de defeitos deste novo Real Madrid. Defeitos que estão ficando cada vez mais expostos, semana após semana.
Um detalhe do empate deste sábado: a sensacional torcida do Sporting Gijón. Uma das mais festeiras da Espanha, talvez só comparada à do Cadiz. Muito bacana o show que eles deram hoje no Molinón.
A temporada 2002/2003 foi a última com a Champions League disputada com um formato de duas fases de grupos. Desde então, a primeira fase continua tendo grupos, mas, a partir daí, é mata-mata. E esse post trata do seguinte: nesta era de mata-matas, o Real Madrid só morre, não tem matado ninguém.
E pior: é incrível a incapacidade de o Real Madrid ganhar jogos dos grandes da Europa. Como aconteceu hoje, na derrota em casa para um destroçado Milan, que não havia passado nem perto de acertar um grande jogo na temporada.
Os espanhóis, especialmente os torcedores do Real Madrid, têm a mania de achar que o Real é o maior clube do mundo. Até o Kaká disse isso na coletiva pré-jogo ("O Real Madrid é maior que o Milan"). Eu não concordo.
Acho que o Real, sem dúvida, é um dos cinco maiores clubes da Europa. Está em um grupo seleto de clubes multi-campeões nas competições domésticas e também nas europeias. Com história, torcida, estádio, capazes de gerar muita receita e atrair os grandes jogadores do futebol mundial. Mas sinceramente não consigo considerar o Real maior que clubes como o Milan, o Manchester United, o Barcelona e a Juventus, só para citar alguns.
Dito isso, o retrospecto das últimas temporadas é incrível - para quem se considera assim, tão maior que todo mundo. Em 2003/2004, foi a última vez que o Real chegou às quartas da Champions. Ganhou uma partida do Bayern de Munique, nas oitavas, e acabou eliminado pelo Monaco na fase seguinte.
A partir daí, começou a desgraça. São cinco temporadas seguidas de eliminações nas oitavas-de-final. Neste período, o Real atropelou times pequenos e médios, como os Zenits e Rosenborgs da vida. Mas caiu contra todos os grandes que enfrentou.
Perdeu quando enfrentou Juventus, Liverpool, Roma, Lyon, Arsenal, o próprio Bayern... Neste enorme período, colecionou só duas vitórias expressivas. Em 20 de fevereiro de 2007, bateu o Bayern no Bernabeu por 3 a 2, mas logo depois perdeu na Alemanha e foi eliminado. Dois anos antes, em 2005, ainda com Vanderlei Luxemburgo, ganhou da Juventus (de Capello) em casa, mas perdeu fora. Acabou fora.
Agora, perde também do Milan. É o retrato do Real europeu dos últimos anos. Ganha dos fracos, cai perante todos os grandes.
A próxima chance é novamente contra o Milan, no San Siro, na próxima rodada da Champions. Será que acaba o jejum??
O que explica esse desastre recente???
Na minha opinião, uma mescla de times ruins com uma palavrinha: soberba. E na tua?
Aqui vão as campanhas do Real na Champions nos últimos anos:
2008/2009
- Ganhou as duas do Zenit (Rússia) e do Bate (Bielorrússia)
- Perdeu as duas da Juventus e, nas oitavas, as duas para o Liverpool
2007/2008
- Ganhou na fase de grupos, em casa, de Olympiakos, Werder Bremen e Lazio
- Perdeu, nas oitavas, as duas para a Roma
2006/2007
- Na fase de grupos, empatou uma e perdeu outra para o Lyon (como no ano anterior)
- Nas oitavas, ganhou uma e perdeu outra para o Bayern, mas foi eliminado
2005/2006
- Na fase de grupos, empatou uma e perdeu outra para o Lyon
- Nas oitavas, perdeu em casa do Arsenal e empatou fora
2004/2005
- Ficou em segundo no grupo na fase de grupos, atrás do Bayer Leverkusen
- Nas oitavas, ganhou em casa da Juventus, mas perdeu fora e foi eliminado
2003/2004
- Na fase de grupos, ganhou uma do Porto e acabou em primeiro
- Nas oitavas passou pelo Bayern, com uma vitória e um empate
- Nas quartas, caiu para o Mônaco, de Morientes
Nas páginas do diário "Sport", um dos dois grandes jornais esportivos de Barcelona, o negócio vai se concretizando. Basta saber o quanto isso é verdade, o quanto é especulação. Mas, como já disse outras vezes, quando há muita fumaça desse jeito, é que há fogo. Parece cada vez mais claro que o destino de Robinho é deixar o Manchester City para jogar no Barcelona.
A notícia desta segunda-feira é que os xeques Mansour e Khaloon al-Mubarak, respectivamente dono e presidente do City, já teriam aceitado a idéia de negociar Robinho. Seja vendido ou emprestado, já agora, no final do ano.
Esta seria a única trava ainda emperrando o negócio. Com os árabes de acordo, agora é só sentar na mesa para negociar com Joan Laporta as condições da transferência.
Mark Hughes, técnico do City, e Garry Cook, diretor, teriam viajado aos Emirados Árabes Unidos na semana passada e convencido os xeques da necessidade de negociar Robinho. Hughes agora está em alta, já que o time disputa o título inglês e o técnico provou que, com os novos reforços, consegue fazer do Manchester City uma equipe competitiva. Tudo isso praticamente sem Robinho, machucado.
O técnico galês insistiu na necessidade de trazer Ribéry, do Bayern, custe o que custar. Também teria pedido a contratação de Benayoun, do Liverpool. Essa eu queria ver... árabes contratando um israelense.
O plano de ação preferido do Barcelona continua sendo um empréstimo até o fim da temporada para checar o profissionalismo de Robinho. O brasileiro poderia jogar a Champions League sendo inscrito em janeiro, já que o City não disputa essa competição. E claramente ocuparia a vaga de Henry, que iria embora ao final da temporada.
Segundo jornais da Inglaterra e da França, o veterano já estaria com tudo acertado para jogar no New York Red Bulls, nos EUA.
PS: Quero agradecer ao leitor Flávio, que de fato corrigiu uma informação errada do meu post anterior, sobre a classificação de Honduras à Copa. Valeu!
Era o dia 16 de junho de 1982. Eu estava a dez dias de completar só meu terceiro aninho de vida, por isso não tive a chance de ver um dos momentos históricos do futebol de um país.
No estádio Mestalla, em Valência, 49.562 almas aguardavam para ver a Espanha em campo. A anfitriã recebia a Copa do Mundo só sete anos depois da morte de Franco, quatro anos depois da promulgação de uma nova e democrática Constituição, meses depois de os socialistas assumirem o poder pela primeira vez em meio século. Era uma nova Espanha. Um país que respirava novos ares e que abria as portas para o mundo no grande torneio de futebol do planeta.
Jogo fácil. Na estreia, Espanha e Honduras.
Fácil nada! Aos 8 minutos de partida, um jogador apelidado de "Peito de Águia" pega a bola, faz uma tabela, passa por três zagueiros e dispara um chute cruzado. 1 a 0 Honduras!
Gol de ZELAYA!!!
Silêncio em Mestalla.
É isso aí, meus amigos. Honduras se classificou nesta madrugada para a Copa do Mundo de forma milagrosa. Ganhou de El Salvador por 1 a 0 e estava conformada com ter de jogar contra o Uruguai na repescagem, missão das mais ingratas. Até que a Costa Rica, de René Simões, entregou. Levou um gol dos Estados Unidos aos 50 minutos do segundo tempo! Resultado: Honduras na Copa de 2010, Costa Rica contra o Uruguai na repescagem.
René Simões ia do inferno (vestiários armados do Canindé) ao céu (a Copa!). Vai ter que dar uma passadinha no purgatório antes.
E Honduras volta ao Mundial. Vai disputar a sua segunda Copa do Mundo, para ver se alguém faz história de novo, como Zelaya fez em 1982.
Aquele jogo terminaria empatado, mas a Espanha só foi marcar aos 20 do segundo tempo, e de pênalti. A anfitriã passou da primeira fase na bacia das almas. Caiu na segunda, diante da Alemanha Ocidental. Aquele empate com Honduras entrou para os livros como uma das grandes zebras dos Mundiais, do nível, por exemplo, da vitória de Camarões sobre a Argentina em 1990 na abertura.
Já Honduras ainda empatou com a Irlanda do Norte. Se vencesse a Iugoslávia no último jogo, desclassificaria a Espanha! Acabou perdendo por 1 a 0, outro gol de pênalti, 42 do segundo tempo. Uma tristeza. Mas nada que impedisse a volta de Zelaya pra casa como herói nacional.
"Éramos um grupo jovem de jogadores e com desejo de triunfar. Funcionávamos como um grupo, não como indivíduos. Foi um trabalho simples e bonito", contou Zelaya em uma entrevista 25 anos depois, quando ocupava um lugar no Parlamento de Honduras.
Ele começou a carreira em 1976 e tinha o apelido de "Peito de Leão". Quando chegou ao time do Motágua, mudaram o apelido para "Peito de Águia". Sabe-se lá a razão para a troca de animais. Abandonou o futebol aos 24 anos de idade, devido a lesões não curadas apesar de tantas cirurgias. Mais tarde, entrou para a política.
Querem saber? Nunca vi nenhum jogo da atual seleção de Honduras e provavelmente não vai fazer nada demais na Copa da África. Mas é legal ver países novos e ainda mais com histórias como essas para contar. Esse jogo de 82 virou artigo no site da nossa co-irmã, a ESPN Deportes, em língua espanhola:
http://msnlatam.espndeportes.espn.go.com/news/story?id=569211&page=story
E é o momento mais bonito da história do futebol de lá. Pelo menos até a noite passada...
Deve ter tido festa em todo o país, certamente durante o dia veremos as imagens da festa em um país que convive com toques de recolher, protestos, saques, pancadarias. Na Embaixada do Brasil, aquele bigodudo sempre com chapéu na cabeça deve ter comemorado bastante.
Ah, em tempo. Gente, não quis confundir ninguém!
O Zelaya em questão chama-se Héctor Ramón Zelaya Rivera. Não é o Manuel não, o nosso hóspede na Embaixada há quase um mês.
Peguei alguém nessa?? hehehe
A coincidência é sensacional, por isso quis contar a história aqui no blog. E está na cara que ela será contada um milhão de vezes pelos diversos meios de comunicação até a estreia de Honduras na Copa do ano que vem.
A coincidência é tão grande que envolve até a política. Se naquela época a Espanha voltava a uma democracia, neste exato momento alguns milicos golpistas estão tentando tirar Honduras de outra.
O Zelaya jogador virou deputado, hoje nem sei se continua sendo. Abriu uma escolinha de futebol também, tocou a vida. O Zelaya presidente é isso, presidente. E precisa voltar ao cargo, porque o mundo já tem que ter deixado para trás os tempos em que golpistas conseguem tomar o poder do jeito que querem. Que Zelaya volte, convoque eleições e o povo hondurenho decida o que quer da vida nas urnas, não nas armas.
E que outro Zelaya volte ano que vem incorporado em algum atacante, para fazer alguma coisa legal na Copa e a gente ter mais história para contar no futuro.
Viva Honduras.
As eliminatórias europeias têm sua última rodada nesta quarta-feira. Com o turbilhão que foi esse feriado, nem deu para comentar os jogos de sábado. Gostei muito da combinação de resultados que ajudou Portugal, agora sim praticamente na repescagem (se não ganhar de Malta, parei!).
Logicamente, como neto de portugueses, torcedor da Lusa e fã do país, estou torcendo muito por Portugal. Assim como torço pela Argentina, pelo Uruguai, pela França... os países grandes têm que estar na Copa! Não dá para deixar Cristiano Ronaldo, esse craque, esse monstro, fora da Copa do Mundo. Mas o sofrimento português nessas eliminatórias mostra o quão bom e importante foi Luiz Felipe Scolari para esta seleção, e esse é um detalhe que tem que ser comentado.
Felipão é criticado, esculhambado, contestado... mas é um baita técnico. Com ele, as eliminatórias para a Copa de 2006 e a Euro de 2008 foram duas babas.
Com Carlos Queiroz, Portugal perdeu em casa da Dinamarca e empatou com a Albânia! Mas foi salvadora essa arrancada final, ganhando da Albânia fora no último minuto, empatando com a Dinamarca e ganhando duas vezes da Hungria. Tudo no sufoco, mas tudo muito válido. Agora, é a repescagem.
Situação de cada grupo:
Grupo 1
Dinamarca na Copa, com justiça. Legal o retorno. Portugal deve ganhar de Malta e ir à repescagem. Vai sobrar a Suécia. Uma pena, mas também nunca vi o Ibrahimovic fazer nada demais com a Suécia nos torneios importantes.
Grupo 2
A chave mais fraca das eliminatórias. Apesar da proeza de ter perdido em casa de Luxemburgo na segunda rodada (setembro do ano passado), a Suíça se recuperou. Ganhou duas vezes da Grécia e agora depende só de um empate em casa contra Israel. Salvo catástrofe, estará na Copa (para não fazer nada!). A Grécia joga com Luxemburgo, ou seja, está na repescagem para tentar a sorte e ainda vai entrar como cabeça-de-chave (veja abaixo para entender).
Grupo 3
A Eslováquia desperdiçou uma chance de ouro ao perder da Eslovênia no sábado, em casa. De quebra, ainda praticamente deixou a República Tcheca fora da Copa. Essa sim, mais pena do que a Suécia, na minha opinião, apesar de ter merecido e tropeçado à la Portugal, perdendo muitos pontos bobos no início da competição. A Eslováquia, para ir ao Mundial, tem que ganhar da Polônia fora. Na minha opinião, vai tropeçar e acabar na repescagem. A Eslovênia vai atropelar San Marino, a pior seleção da Europa, e se classificar.
Grupo 4
Sem surpresas. Alemanha na Copa, Rússia na repescagem, tudo definido. Eu achei que a Rússia, do mago Hiddink, fosse ganhar da Alemanha em Moscou. Errei. Nunca subestime a Alemanha, essa seleção é muito grande.
Grupo 5
Espanha na Copa, para mim jogando o melhor futebol do planeta atualmente. Em tempo. Se eles perderem nas oitavas de novo, é que afinaram no Mundial. Mas se chegarem a uma semi ou uma final e perderem, não considerarei fracasso, como muitos dirão. Esse time tem que ser considerado um dos favoritos, com Casillas, Iniesta, Xavi, Villa, Torres, etc. A Bósnia vai para a repescagem. Para mim aqui é surpresa a eliminação da Turquia.
Grupo 6
Inglaterra na Copa, Ucrânia na repescagem (tem só que ganhar de Andorra na quarta-feira, coisa que até nosso time do site da ESPN faria). Uma grande pena a Croácia ficar fora da repescagem, a sétima melhor seleção da Europa no ranking da Fifa. A mesma Croácia que tirou a Inglaterra da última Eurocopa e quase foi às semifinais, ano passado. O problema é que eles tomaram duas piabas dos ingleses e ainda deram azar na tabela. A Inglaterra nunca teria perdido da Ucrânia, como perdeu sábado, se o jogo valesse para alguma coisa. Uma pena mesmo, para mim a Croácia tem mais bola do que muita seleção que vai ao Mundial.
Grupo 7
Sérvia na Copa, França na repescagem. Só se surpreendeu quem não conhece o Domenech e não tem visto os jogos da França nos últimos quatro anos. Mesmo assim, tomara que passem. Ribéry e Benzema são desses que precisam estar no Mundial. A Sérvia, de Vidic, Stankovic, Zigic, precisa torcer para cair em um grupinho mais fácil (lembra? em 2006 foi com Argentina, Holanda e Costa do Marfim).
Grupo 8
Itália na Copa, Irlanda na repescagem. Normalíssimo. Adoro os irlandeses, espero que passem.
Grupo 9
Holanda na Copa, ninguém na repescagem. A Noruega é a pior segunda colocada, então está fora. E a Escócia decepcionou nas eliminatórias, infelizmente.
Enfim, entre as coisas que serão definidas amanhã, conto com classificações de Suíça e Eslovênia, com Portugal, Grécia e Ucrânia garantindo vagas na repescagem.
E como será a repescagem?? Um sorteio no dia 19 de outubro (segunda que vem) determina os quatro cabeças-de-chave de acordo com o ranking da Fifa, que sairá agora, sexta-feira. Já dá para saber o que vai acontecer pelo ranking atual, no entanto:
No pote 1, de cabeças-de-chave, estarão: Rússia, França, Portugal e Grécia.
No pote 2, os outros: Ucrânia, Irlanda, Bósnia e Eslováquia ou Eslovênia.
Os quatro de cima enfrentam um dos quatro de baixo (que certamente estarão torcendo para serem emparelhados com os gregos). Os jogos decisivos, em ida e volta, 14 e 18 de novembro.
Há 20 países europeus entre os 32 primeiros no ranking da Fifa, mas só 13 se classificam para a Copa do Mundo. Fazer o quê?
*** Vi alguns comentários aqui neste mesmo post dizendo que a Noruega ainda tem chances de ir à repescagem. O modelo funciona assim. A Noruega ficou em segundo lugar com 10 pontos. Os outros segundos colocados terão descartados os jogos contra o lanterna destes respectivos grupos. Sendo assim, a Noruega só pode entrar com essa combinação exata de resultados: Suécia empata com a Albânia e Portugal perde para Malta por quatro gols de diferença (!!!).
Assim, a Suécia ficaria com 16 pontos, em segunda na frente de Portugal pelo saldo. Descartadas as vitórias suecas sobre Malta, seriam 10 pontos e um saldo pior do que o da Noruega. Os outros segundos colocados, mesmo com os descartes, já somam mais do que os 10 pontos noruegueses. Esqueçam, portanto. Reservo-me o direito de considerar os nórdicos sem chances de repescagem.
Pessoas próximas a Lionel Messi deixaram vazar a seguinte informação: Diego Maradona não está nem mesmo lhe dirigindo a palavra. A notícia foi publicada pelo diário As, da Espanha.
O pai do craque do Barcelona (que é quem deve ter sido a fonte da notícia) está irritado com a situação, e Messi, afundado em seu próprio mundo. O garoto já é introvertido e fala pouco. Se Maradona não falar com ele, então, mau sinal.
"Aqui ele é um por cento do que é no Barcelona. Está se apagando até não existir mais", foi a frase dita por uma das pessoas próximas ao jogador.
Se Maradona e Messi estão quase rompidos, dessa maneira, vai ser difícil para a Argentina. Não bastasse a pedreira que será o jogo contra o Uruguai, amanhã, o pseudo-técnico-projeto-de-Deus ainda deixa de lado o seu maior jogador.
O cara que, motivado, já provou que decide. Já provou que é o melhor jogador de futebol do mundo, capaz de operar milagres.
Na Argentina, de fato, Messi não tem feito quase nada. Cabe ao técnico, aquele que não fala com o jogador, encontrar a melhor maneira de fazer com que as coisas se iluminem.
Julio Gomes gosta de dizer que é torcedor da Portuguesa e jornalista esportivo "desde que se conhece por gente".
"Em relação à Lusa, não tive escolha. Meu irmão, Flavio Gomes, me levava ao Canindé desde os 3, 4 anos de idade. Já o jornalismo... claro que a influência do Flavio foi grande. Mas eu lia tanto jornal e via tanto esporte desde pequeno que, quando comecei na coisa, era como se sempre tivesse feito aquilo na vida."
O começo "pra valer" foi em 1998, quando cursava o segundo ano de jornalismo na USP. Passou de um teste para integrar a equipe do UOL Esporte para a cobertura da primeira Copa online da história, a da França. Não saiu mais. No ano 2000, já era editor-assistente e em 2002, com 23 anos de idade, virou editor e cobriu sua primeira Copa do Mundo in loco, a campanha do penta na Coréia e no Japão.
No ano seguinte, em 2003, partiu com a então namorada, hoje esposa, Cláudia, para uma aventura pela Europa. Foi fazer mestrado em jornalismo esportivo em Madri e acabou ficando por lá por cinco anos.
"Não fiquei todo o tempo em Madri. Cheguei a morar em Paris por dois meses e em Londres por cinco antes de receber o convite da Bandeirantes para ser correspondente na Espanha. A razão era a contratação do Luxemburgo pelo Real Madrid. Me deram uma câmera, um microfone, um tripé e de um dia para o outro virei vídeo-repórter", conta.
Aí começou a intensa cobertura de futebol europeu, com muitos jogos no Santiago Bernabéu e no Camp Nou, várias partidas decisivas de Champions League, duas finais (Paris-06 e Moscou-08), amistosos da seleção brasileira, Eurocopas de 2004 e 2008, Copa do Mundo de 2006 e muitos outros eventos esportivos.
"E não esportivos também!", conta. "Nunca me esquecerei das coberturas da morte do Papa e do Conclave, em 2005. Foram dias marcantes em Roma. Cobri também atentados em Madri e em Londres. Dias muito chocantes".
Em 2007, Julio Gomes cobriu a temporada de F-1 para a Rádio Bandeirantes. E, em 2008, planejou a volta ao Brasil, que aconteceu em janeiro de 2009. Um pouco mais de um mês depois de desembarcar em São Paulo, já estava na ESPN para assumir o posto de editor-chefe do site, do 360 e dos projetos envolvendo telefonia celular. Ele é também comentarista dos canais ESPN desde então.
"Criei muita amizade com muita gente da ESPN nestes anos de cobertura pelo mundo. Já que era para voltar ao Brasil, tinha que ser na casa onde sempre quis trabalhar!"
Julio Gomes trabalha no jornalismo esportivo desde 1998, quando tinha 18 anos anos e começou a carreira no UOL. Quatro anos depois, cobriu sua primeira Copa do Mundo. Em 2003, foi a Madri para fazer um mestrado e lá ficou por cinco anos como correspondente. Torcedor da Lusa, é desde março de 2009 o editor do ESPN.com.br e do ESPN 360.