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Brasileiros ficam em quinto lugar em Grand Prix de judô
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Em Presidente Prudente, interior de São Paulo, morava um rapaz que mal falava português e treinava sozinho um esporte que praticava em seu país. Era tão bom lutador que havia tentado uma vaga para defender o Japão na Olimpíada de Tóquio, em 1964. Aquilo era tão importante para ele que, de tão decepcionado com a derrota nas seletivas, deixou tudo e veio para o Brasil. O nome do rapaz é Chiaki Ishii. E o esporte, o judô.
A vida no campo não o segurou por muito tempo. Chiaki Ishii resolveu partir para São Paulo. Abriu uma academia e acabou intimado pela comunidade nipônica a representar o Brasil nos Jogos de Munique, em 1972. Era a grande chance de sair do guarda-chuva do boxe e o judô brasileiro ter a própria organização.
Ishii retornou ao Japão. Treinou por quatro meses. E na Alemanha conquistou a medalha de bronze na categoria meio-pesado – a primeira, no peito do pioneiro.
Até hoje, Ishii não fala português perfeitamente. Com as filhas Tânia e Vânia, também judocas de elite, o brasileiro naturalizado conversa em japonês. Ele é um perfeito resumo da história do próprio esporte: o judô inventado no Japão, que se espalhou pelo mundo agregando culturas, mas mantendo as raízes, plantadas por Jigoro Kano.
O início
Quem vê uma luta do brasileiro João Gabriel Schlittler pode achar que o judô é somente para gigantes. Sua criação, no entanto, tem muito mais a ver com a possibilidade de qualquer pessoa poder lutar.
O japonês que inventou a modalidade pesava pouco mais de 50 quilos e media cerca de 1,50m: Jigoro Kano. Nasceu em 1860, criou o esporte a partir de outras artes marciais, em 1882, e hoje é reverenciado em cada tatame do mundo. Kano começou a praticar o jiu-jitsu aos 18 anos para não ser dominado pela fraqueza física. Ele aprendeu atemi-waza (percussão), katame-waza (domínio) e nague-waza (arremesso). Aprofundou seus conhecimentos tomando como base a força e a racionalidade. Além disso, criou novas técnicas para o treinamento de esportes competitivos, mas também pelo cultivo do caráter.
Kano fundou o Instituto Kodokan,com a educação física, a competição e o treinamento moral servindo de alicerce. Com apenas 12 tatames e nove alunos, Kano começou a difundir o judô - utilizar a força do oponente sem agir contra ela, podendo ser aplicada não somente na competição, mas também aos aspectos humanos.
Antes de se expandir, o conceito de judô do professor formou dois grandes guias: o melhor uso da energia individual e o bem estar mútuo. Com esses princípios, o esporte expandiu-se no próprio Japão e no exterior. Kano morreu em 1838.
A partir de Tóquio/1964, o esporte foi integrado aos Jogos Olímpicos como exibição. No México/1968, ficou fora porque as regras ainda não estavam definidas. Em Munique/1972, começou para valer.
No Brasil
O judô chegou ao Brasil em 1922, na ‘bagagem’ de um dos imigrantes japoneses que desembarcavam no país desde 1908. Thayan Lauzin fez inúmeras apresentações, divulgando o esporte. Na década de 30 chegaram os primeiros professores e surgiram academias.
O judô é um dos esportes que mais medalhas olímpicas trouxeram ao Brasil. De Munique/72 a Atenas/2004 foram 12.
1972
Chiaki Ishii, bronze
1984
Douglas Vieira, prata
Luiz Onmura, bronze
Walter Carmona, bronze
1988
Aurélio Miguel, ouro
1992
Rogério Sampaio, ouro
1996
Aurélio Miguel, bronze
Henrique Guimarães, bronze
2000
Thiago Camilo, prata
Carlos Honorato, prata
2004
Leandro Guilheiro, bronze
Flávio Canto, bronze