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por Mauro Cezar Pereira
Em 21 de julho de 1902 surgia a primeira agremiação do Rio voltada para o futebol, o Fluminense, dono de 30 estaduais, 28 conquistados no século 20, período no qual foi o maior colecionador de títulos do Estado. Seu pioneirismo vai além. O estádio das Laranjeiras foi a primeira sede da seleção brasileira, que lá ficou invicta em 18 jogos.
Na primeira partida oficial, 8 a 0 sobre o Rio Football Club. Branco e cinza eram as cores antes de se tornar tricolor, em 1904, quando adotou o verde, o branco e o grená. Ganhou cinco dos seis primeiros cariocas. Após tal feito, nove titulares debandaram para o Flamengo, então voltado ao remo. Mas no primeiro Fla-Flu, triunfo tricolor, 3 a 2.
Entre 1936 e 1941, mais cinco títulos em seis temporadas. Na “Era” Maracanã, o carioca veio no segundo ano do estádio, campeão de 1951. Mais triunfos vieram ali, como os do Rio-São Paulo de 1957 e 1960, o do Rio de 1959 — com Castilho, Pinheiro, Maurinho e Telê, que virou técnico. Em 1969 e 1971, o time que montou foi campeão.
Entre as duas conquistas estaduais, uma nacional, com o Roberto Gomes Pedrosa de 1970. Entre 1971 e 1976, quatro troféus em seis anos, os dois últimos no bi da “Máquina” com Rivelino e companhia. Entre 1980 e 1985, mais quatro títulos do Rio em meia dúzia de temporadas, com o tri do time de Assis e Washington, campeão brasileiro de 1984. Após uma década, o histórico carioca de 1985 com o gol da barriga de Renato Gaúcho no ano do centenário do Flamengo.
Em 1996 foi rebaixado no Brasileiro, mas o tribunal cancelou a queda, que se repetiu em 1997. Veio 1998 e, na segunda divisão, caiu para a Série C. Venceu a terceira em 1999 e voltou à primeira em 2000, com a Copa João Havelange, que englobou times de todas as divisões.
Campeão carioca em 2002 e 2005, o Fluminense foi vice-campeão da Libertadores 2008. Perdeu a final nos pênaltis para a LDU do Equador, mas deixou na história a caminhada de vitórias que eliminou Boca e São Paulo, clubes que detêm juntos nove títulos do torneio.
Curiosidades
Em 1963, o Fla-Flu que decidiu o Campeonato Carioca (0 a 0 e título rubro-negro) alcançou o recorde mundial de público entre clubes: 194.603 espectadores, ou 177.656 pagantes.
Na Copa do Mundo de 1930, Preguinho, o primeiro capitão da seleção brasileira em Copas do Mundo, marcou também o primeiro gol brasileiro nesta competição. Era jogador do Fluminense.
Conquistada em 1949 e considerada à época o "Prêmio Nobel" do esporte, a Taça Olímpica era o reconhecimento anual do Comitê Olímpico Internacional por quem mais fez em prol do esporte.
O então tricolor Didi foi o primeiro jogador a marcar um gol no Maracanã, defendendo a Seleção Carioca diante da Paulista em 16 de Junho de 1950.
Três jogadores marcaram seis gols num só jogo pelo Flu: Albert (10 a 0 no Haddock Lobo em 1909), Welfare (11 a 1 no Bangu em 1917) e Luis María Rongo (9 a 0 São Cristóvão em 1941).
Os jogadores que mais vezes vestiram a camisa do Fluminense são da mesma época e atuaram juntos: Castilho, 696 jogos (255 sem sofrer gol); Pinheiro, 604; Telê, 556; e Altair, 549.
Ninguém dirigiu o Flu mais vezes que Zezé Moreira, 503 jogos. Em 1951 ele comandou o primeiro “timinho”, como ficaram conhecidas as equipes campeãs e colecionadoras de vitórias pelo placar mínimo.
Ídolos
Oswaldo Gomes, recordista de títulos cariocas, seis, autor do primeiro gol da seleção brasileira, titular em 12 campeonatos e um dos dois que se recusaram a abandonar o Flu para levar o futebol ao Flamengo.
Marcos Carneiro de Mendonça iniciou em 1914 a tradição de grandes goleiros. Foi o primeiro goleiro da seleção brasileira. Pelo Flu disputou 127 partidas e sofreu 164 gols. Parou de jogar e foi presidente tricolor.
Tim era um driblador. Os argentinos o apelidaram "El Peón". Quando parou de jogar, tornou-se excelente técnico, estrategista e campeão pelo Fluminense em 1964; Antes, jogando, fora quatro títulos.
Telê Santana era ponta-direita habilidoso, veloz e raçudo, um dos primeiros na função a exercer a função tática de fechar o meio-campo. "Fio de Esperança" era como o chamavam. Nunca negou ser tricolor.
Waldo é o maior artilheiro da história tricolor, com 314 gols em 403 jogos. Foi tricolor de 1954 a 1961, quando se transferiu para o Valencia. Ao parar de jogar, seguiu vivendo na Espanha.
Rivellino chegou do Corinthians em 1975 amaldiçoado pela perda do título paulista de 1974 para o Palmeiras. No Flu, não foi campeão, mas bicampeão em 75/76, tornando-se um dos maiores ídolos tricolores.
Assis chegou do Atlético Paranaense em 1983 com o parceiro Washington. Era o “Casal 20”, nome de um seriado de TV da época. Foi carrasco do Fla nas finais estaduais de 1983 e 1984.