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por Celso Unzelte
Como o Palmeiras, em São Paulo, o Cruzeiro, um dia, também já se chamou Palestra Itália. Foi em 1921 que imigrantes italianos de Belo Horizonte resolveram criar seu clube, com as cores verde, branca e vermelha da bandeira italiana. A denominação durou até 1942, quando, por causa da Segunda Guerra Mundial, o clube foi obrigado a trocar não só o nome, de Palestra para Cruzeiro, como as cores, para o atual azul e branco.
Desde os tempos de Palestra, porém, a equipe já era respeitada em Minas, atrapalhando a vida do Atlético e do América com o tricampeonato de 1928/29/30 e o título de 1940. Mas foi mesmo com as novas cores e denominação que o Cruzeiro firmou-se definitivamente não apenas no cenário do futebol mineiro, como também no brasileiro e mundial.
A partir da inauguração do Mineirão e do surgimento da geração de craques como Tostão e Dirceu Lopes, na década de 60, o Cruzeiro se torna o grande time de Minas. Em 1966, sagra-se campeão da Taça Brasil, derrotando o Santos de Pelé, de virada, em pleno Pacaembu, por 3 a 2.
Nas décadas seguintes, foi a vez das conquistas internacionais, como as Libertadores de 1976 e 1997, além de uma série de outros títulos continentais, como o bi da Supercopa da Libertadores e a Recopa Sul-Americana. Em 2003, no primeiro Campeonato Brasileiro disputado por pontos corridos, o Cruzeiro alcança o título que lhe faltava, com uma campanha inesquecível. 2003 foi também o ano da tríplice coroa cruzeirense, aliando a conquista daquele Brasileiro às do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil.
O Gigante
Grande o Cruzeiro já era desde antes de qualquer um de nós existir. Aliás, desde antes do próprio Cruzeiro existir, nos tempos do Palestra Itália de Niginho e dos outros irmãos Fantoni. Mas enorme, mesmo, do jeito que é hoje, ele só foi se tornar a partir dos anos 60.
Em Minas, a geração de Tostão e Dirceu Lopes ficou com sete dos dez títulos estaduais disputados nos anos 60, e o Estado ficou pequeno demais para tanto futebol. Assim, logo aquele timaço vestido de azul tratou de conquistar o país, com a Taça Brasil de 1966, interrompendo a sexta conquista consecutiva do super Santos de Pelé.
Dez anos depois, era a vez da América do Sul, conquistada pela primeira vez em 1976, diante dos argentinos do River Plate, atônitos diante da rápida cobrança de falta de Joãozinho, o Moleque da Toca, na partida-desempate da Libertadores daquele ano.
É a partir daí que eu entro nessa história como apreciador de futebol, em uma época de Galo muito mais valorizado tanto em casa quanto nacionalmente. Para mim, o primeiro sinal de reação desse Cruzeiro Novo data de 1984, quando comandada pelo já veterano Palhinha (não confundir com o Palhinha que viria depois) a Raposa consegue, enfim, quebrar a seqüência de conquistas estaduais do Galo, não sem antes ter de brigar muito na Justiça por conta da interpretação do regulamento.
Mais alguns títulos estaduais, em 1987, 1990, 1992 e 1994, outras tantas conquistas sul-americanas, incluindo a Libertadores de 1997. Mas ainda faltava alguma coisa. Apesar de poder se intitular campeão nacional por causa da Taça Brasil de 1966 e das várias Copas do Brasil que ganhou, o Cruzeiro era ainda o último dos nossos grandes clubes que não havia conquistado o Brasileiro desde que ele passara a ser disputado com esse nome, em 1971.
Mas em 2003, com Vanderlei Luxemburgo comandando o time do banco e o maestro Alex em campo, a Raposa fez mais do que isso. A Tríplice Coroa veio não só com a incontestável conquista do primeiro Brasileiro por pontos corridos, mas também com mais um título mineiro e outra Copa do Brasil. Ou seja: ao cruzeirense, hoje, só falta o título mundial.
FICHA TÉCNICA
Nome: Cruzeiro Esporte Clube
Fundação: 2/1/1921
Apelido: Raposa
Estádio: Mineirão (estadual)
Jogadores mais marcantes
Niginho (atacante, 1926 a 1930, 1936/37 e 1939 a 1947)
Tostão (meia e atacante, 1963 a 1972)
Dirceu Lopes (meia, 1963 a 1977)
Ronaldo (atacante, 1993 e 1994)
Alex (meia, 2001 e 2002 a 2004)
Títulos mais importantes
2 Libertadores (1976 e 97); 2 Supercopas da Libertadores (1991/92); 1 Recopa Sul-Americana (1998); 1 Brasileiro (2003); 4 Copas do Brasil (1993, 96, 2000 e 2003); 1 Taça Brasil (1966); 1 Copa Centro-Oeste (1999); 2 Copas Sul-Minas (2001/2002); 34 Estaduais (1928/29/30, 40, 43/44/45, 56, 59/60/61, 65/66/67/68/69, 72/73/74/75, 77, 84, 87, 90, 92, 94, 96, 97/98, 2003/04, 2006, 2008 e 2009); 1 Supercampeonato Mineiro (2002)
HINO
Jadir Ambrosio
Existe um grande clube na cidade,
Que mora dentro do meu coração.
Eu vivo cheio de vaidade,
Pois na realidade é um grande campeão.
Nos gramados de Minas Gerais,
Temos páginas heróicas e imortais.
Cruzeiro, Cruzeiro querido,
tão combatido, jamais vencido.